quinta-feira, 6 de março de 2014

Desmotivação e evasão: o que fazer para incentivar jovens e adultos?

A evasão dos alunos é um problema grave na Educação de Jovens e Adultos em todo o país. Já ouvi muitos casos de classes que começam o ano com 30 alunos e, já no final do primeiro semestre, estão com metade das carteiras vazias.
Acho que todos nós concordamos que muitos dos fatores que levam nossos alunos a abandonarem os estudos estão fora do nosso controle. No entanto, há vários aspectos em que podemos ajudar. A seguir, listo alguns pontos que, em minha opinião, podem motivar os estudantes a permanecerem na escola.
Em primeiro lugar, a escola precisa ser uma experiência positiva. Para uma pessoa que já tem uma rotina pesada com trabalho, cuidados com a família, cuidados com a casa, entre outros afazeres, é difícil chegar à escola, no final do dia, e ainda por cima encontrar aulas desinteressantes, colegas desmotivados… Vou colocar de uma maneira mais simples: frequentar a escola não pode ser uma coisa chata. Tem que ser um momento agradável no dia de nossos alunos.
Penso também que a organização da escola tem papel fundamental na permanência dos alunos. Eles percebem rapidamente quando a escola está desorganizada, os professores são pouco assíduos ou o planejamento é falho. Já ouvi vários estudantes dizerem: “Larguei a minha outra escola porque ela era muito bagunçada. Os professores faltavam muito e não levavam a sério. Se nem eles levam a sério, por que eu vou levar?”.
Por outro lado, já ouvi dizerem: “Puxa vida, professor, você faz igualzinho à outra professora! Vocês combinaram?”. Essa sensação de que há uma organização, de que os professores trabalham em equipe e estão “levando a sério” é uma força que tende a puxar os alunos para a escola. Garantir o bom funcionamento da escola representa um trabalho enorme que diz respeito principalmente à equipe gestora, mas envolve desde manutenção e limpeza até o próprio comprometimento dos professores.
Outro ponto em que podemos ajudar é com a criação de vínculo afetivo com a escola. Se conseguirmos que os alunos gostem e se sintam ligados à escola, eles terão mais motivos para evitar deixá-la. Isso se soma à questão da experiência positiva, que já mencionei neste post, mas vai além. Penso que a escola tem que representar um lugar onde se tem acesso ao conhecimento, um espaço a que os alunos se apeguem e considerem importante para suas vidas.
Esse vínculo envolve também os colegas da turma. A escola é espaço para socializar, conversar, ouvir o outro. No entanto, nós professores costumamos exagerar no uso do giz e da lousa e promovemos poucas atividades em que os alunos possam interagir. Sempre fico chocado quando um estudante, no fim do semestre, revela que não sabe o nome de um colega, depois de tantas aulas! É um sinal de que a convivência não aconteceu, certo? Temos que evitar isso!
Penso que as atividades em que os alunos se organizam de maneira diferente, olham uns para os outros e trocam opiniões, colaboram para construir um clima de respeito e camaradagem que, no final das contas, constrói essa escola que faz o aluno “sentir falta”.
Um exemplo de uma atividade desse tipo é a dinâmica da teia, que relatei em outro post. Veja também os exemplos propostos por outros professores nos comentários.
Encerro lembrando mais um aspecto importante que diz respeito a cada área do conhecimento: o currículo. O que ensinamos na escola tem que ter ligações com o mundo do aluno. Conteúdos que só servem para as avaliações não são atrativos. Temos que procurar sempre promover aprendizados que ajudem o aluno a compreender o mundo que o cerca.
No site GESTÃO ESCOLAR, há reportagem com algumas ações bem-sucedidas no combate à evasão na EJA. Confira aqui.
E em sua escola, existe o problema da evasão? Como você e seus colegas têm trabalhado para enfrentá-lo?
Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/blogs/eja/2014/03/05/desmotivacao-e-evasao-o-que-fazer-para-incentivar-jovens-e-adultos/

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ursinho Pimpão

Vem meu ursinho querido
Meu companheirinho
Ursinho Pimpão
Vamos sonhar aventuras
Voar nas alturas
Da imaginação
Como na história em quadrinhos
Eu sou a Sininho
Você Peter Pan
Vamos fazer nossa festa
Brincar na floresta
Ursinho Tarzã
Enquanto o sono não vem
Eu sou Chapeuzinho
Você meu galã
Dança também (Pimpão)
Pelo salão (Pimpão)
É tão bonita, nossa canção
Manhã já vem (Pimpão)
Dorme Pimpão (Pimpão)
Urso folgado, não tem lição
Vem meu mocinho querido
Ator preferido
Da minha estação
Vou te sonhar colorido
Pegando bandido
Na televisão
Vamos deixar o cansaço
Dormir num abraço
Meu velho amigão
Não fique triste zangado
Se eu viro de lado
E te jogo no c
Ah! Meu ursinho palhaço
Seu circo é um pedaço
Do meu coração
Dança também (Pimpão)
Pelo salão (Pimpão)
É tão bonita nossa canção
Manhã já vem (Pimpão)
Dorme Pimpão (Pimpão)
Urso folgado, não tem lição

"Quem nunca teve um Ursinho Pimpão quando criança ,para brincar e dormir abraçadinho com ele?"
Essa música lembra a minha infância ...eu era feliz não sabia,tempo bom que não volta mais,mas posso recorda.......

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Jogos para aula de matemátina nas séries iniciais

Bingo com figuras
Material: cartelas
Conteúdo: todos os trabalhados com os blocos, discriminação visual
A professora confecciona cartelas com os desenhos de todas as figuras. As peças são colocadas todas dentro de um saco. Uma criança retira uma peça e a descreve: um quadrado, vermelho, grosso, pequeno. A criança que tiver o desenho em sua cartela tem o direito de colocar um feijão ou uma pedrinha sobre a figura para marcar os lugares. Quem primeiro completar suas cartelas vence o jogo. Eis um exemplo de uma das casas do bingo

AMARELINHA
Dicas para iniciar a brincadeira pela primeira vez: Faça uma roda com os alunos e pergunte a eles:
- Quem conhece a amarelinha?
- Quais os tipos de amarelinha que conhecem?
- Deixe que desenhem como elas são.
- Como se joga a amarelinha?
- Como podemos organizar essa brincadeira?
- Como se decide quem joga primeiro?
Após levantar o que os alunos sabem sobre essa brincadeira, a professora pode propor que todos vão conhecer uma amarelinha. Pode-se iniciar explorando com as crianças somente a maneira de pular, uma vez que não é simples esse pular, elas precisam coordenar muitas ações ao mesmo tempo.
Num outro momento então, pode-se ensiná-las como é a brincadeira. Enquanto algumas crianças são convidadas a iniciar, as demais observam sentadas em círculo ao redor do diagrama. Uma criança também pode auxiliar a outra.
Uma nova organização da classe: Quando os alunos já estiverem familiarizados com a brincadeira, o professor pode desenhar de dois a quatro esquemas da amarelinha para que possam brincar, sendo que em cada grupo sejam colocadas duas crianças que já tenham maior conhecimento para auxiliar as demais.
Ao final, a professora pode reunir a turma para fazer um fechamento da atividade: pode ser uma roda onde os alunos falem sobre como foi jogar, o que foi fácil e o que foi difícil, tomem decisões sobre como realizar a brincadeira numa próxima vez, ou realizar um desenho da brincadeira. Para os de maior idade, podem ainda produzir um texto coletivo sobre as regras aprendidas. A brincadeira pode ser repetida muitas vezes, para que todas as crianças tenham oportunidade de aprender a brincadeira e superar suas dificuldades, vencendo os desafios propostos, bem como, apreender todas as regras.
Bola de Gude: Desenvolve a estruturação do espaço, a coordenação perceptivo-motora, o raciocínio numérico, a oralidade além de estimular os movimentos, proporcionar momentos de contagem e controle de números de bolinhas, classificações variadas e comparação de tamanho.
Tradicional: circulo onde são colocadas as bolinhas “apostadas”. Os alunos, atrás da raia rolam suas bolinhas em direção à ela. Aquele cuja bolinha chegar mais próximo da raia é quem começa o jogo. Este atira a “joga” (bolinha que não entra na aposta), em direção ao gude (circulo) com a finalidade de deslocar para fora, as bolinhas que estão dentro dele. Se a bolinha parar no meio do caminho passa a vez para o próximo colega e continua dali na próxima rodada. Se a bolinha parar no gude, o jogador sairá do jogo. Vence aquele que retirar o maior número de bolinhas do gude.
Existem outras variáveis que podem ser exploradas como: largada, Box, estrela, paredinha, etc.
 
fonte:http://alziraubaldo.blogspot.com.br/

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Desenvolvimento Cognitivo da Criança


A palavra cognição tem origem nos escritos de Platão e Aristóteles e significa o ato ou processo de conhecer, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem.

A cognição é derivada da palavra latina cognitione, que significa a aquisição de um conhecimento através da percepção. Devido a esse fato é que a cognição é mais do que a aquisição de conhecimentos, é também um mecanismo de conversão do que é captado para o nosso modo de ser interno com relação ao meio em que vivemos.
Um fator importante para a aquisição desses conhecimentos é a própria aprendizagem sem a qual não seria possível tornar factível o desenvolvimento em tempo real e verdadeiro da aquisição de objetivos. Especialistas no assunto preocupados com os diversos modelos de aprendizagem criaram teorias nas quais a própria aprendizagem se encarrega dos processos de cognição através de estratégias.
Vale lembrar que embora desde a Grécia Antiga tenham sido formuladas diversas teorias sobre a aprendizagem, as mais utilizadas na educação contemporânea são a de Jean Piaget e a de Lev Vygotsky.
Para Piaget em sua Teoria de Epistemologia Genética, o conhecimento é construído através da interação do sujeito com o meio, a partir de estruturas existentes. Segundo sua teoria todo desenvolvimento obedece estágios hierárquicos que iniciam e decorrem do nascimento e se consolidam aos 16 anos. São eles:
Estágio sensório-motor (do nascimento aos 2 anos) - a criança desenvolve um conjunto de esquemas de ações sobre os objetos, que lhe permite construir um conhecimento físico da realidade. Nesta etapa desenvolve o conceito de permanência dos objetos, constrói esquemas sensório-motores, é capaz de fazer imitações construindo representações mentais cada vez mais complexas em que o contato com o mundo é através da figura materna e seu pensamento é sincrético.
Estágio pré-operatório (dos 2 aos 6 anos) - a criança inicia a construção da relação causa e efeito, bem como das simbolizações. É a chamada idade dos porquês e do faz-de-conta onde com a estruturação do egocentrismo na formação de pequenos grupos ocorre a crise da oposição, da consciência e da hipertrofia do ego. Os interesses são imaginativos e as tentativas de controle das pautas emocionais são uma característica marcante.
Estágio operatório-concreto (dos 7 aos 11 anos) - a criança começa a construir conceitos através de estruturas lógicas, consolida a conservação de quantidade e constrói o conceito de número. Seu pensamento apesar de lógico, ainda está preso aos conceitos concretos não fazendo ainda abstrações e quanto a questão de dominância apresenta o conhecimento dos fatos participando socialmente do grupo escolar e infantil e descobrindo o que chamamos de estabilidade emocional onde a descoberta do superego influencia na estabilidade emocional.
Estágio operatório-formal (dos 11 aos 16 anos) - fase em que o adolescente constrói o pensamento abstrato e conceitual, conseguindo ter em conta as hipóteses possíveis, os diferentes pontos de vista e sendo capaz de pensar cientificamente. Apesar da possível pseudo-regressão emocional, a necessidade da turma e da equipe para afirmação e interação social é uma constante diante da crise de originalidade, afirmação e consciência do Eu profundo na busca da personalidade adulta. A objetivação de valores e de idéias remete a volta da subjetividade e turbulência pubertária onde a valorização expressiva é emocional.

Com tudo isso, conclui-se que na concepção piagetiana, a passagem de um estágio a outro estaria dependente da consolidação e superação do estágio anterior. É importante ressaltar que os estágios agem como mecanismos denominados de “equilibração das estruturas mentais”, ou seja, a transformação de um conhecimento prévio em um novo, forma a base da aprendizagem e do desenvolvimento cognitivo da criança.
Para Vygotsky em sua Teoria do Sócio-Interacionismo, o conhecimento é construído através das interações do sujeito com o meio e com o outro, como desencadeador do desenvolvimento sócio-cognitivo. Segundo sua teoria todo desenvolvimento é impulsionado pela linguagem o que torna possível ver o homem como ser biológico, histórico e cultural. Para ele o desenvolvimento está atrelado obrigatoriamente a aprendizagem e é o próprio processo de aprender que gera e promove as estruturas mentais enquanto para Piaget a estruturação do organismo precede o desenvolvimento.
Tanto na teoria piagetiana onde o desenvolvimento cognitivo é uma teoria de etapas, como na teoria sócio-interacionista onde o desenvolvimento cognitivo passa por processos e fenômenos psíquicos, o importante é reconhecer que tanto a escola como a família devem promover a descoberta e a construção do conhecimento estimulando a capacidade de análise crítica, a criatividade na solução de problemas e estimular a autonomia e o gosto pelo saber.
*Reconhecer nos educadores um personagem da mediação do conhecimento, ora criando dificuldades ora resolvendo problemas, faz com que a criança perceba suas potencialidades e desenvolva seu aspecto cognitivo encontrando na família a segurança, a confiança e o amor necessários para construir sua identidade e autonomia.
O desenvolvimento cognitivo da criança para ser pleno necessita acompanhar os aspectos afetivos, sociais e psicomotores, pois com isso é possível transformar a visão de mundo infantil em divertidas descobertas criando vínculos entre a família, a escola e a sociedade.  

Daniella Magnini Baptista
Pedagoga

Fonte:http://www.olharpedagogico.com/site_detalheDica.php?id=4

Como lidar com um aluno com dificuldades de concentração?





Lidando com a síndrome da Hiperatividade e Déficit de Atenção

 

 


A hiperatividade e o déficit de atenção se apresentam em aproximadamente 5% das crianças de idade escolar, acometendo mais meninos do que meninas. Nesta fase, os sintomas de hiperatividade se sobressaem aos de déficit de atenção.

Indivíduos que apresentam de forma mais acentuada os sintomas de déficit de atenção tendem a ser desatentos, dispersos e com pouca concentração. Já os com hiperatividade, apesar de possuírem desempenho satisfatório, não conseguem ficar quietos, podendo atrapalhar a dinâmica da sala de aula.

Assim, tanto em um caso quanto em outro, o portador corre risco de não ter um desenvolvimento no aprendizado satisfatório e, ainda, de ser rejeitado pelos colegas. Diante destes fatos, fica claro a importância de se conhecer mais a respeito desta síndrome e também sobre ações a serem utilizadas para com seus portadores, em sala de aula. O texto em questão tem este propósito.

Primeiramente, nem toda criança desatenta e/ou muito agitada é, de fato, hiperativa e, desta forma, cabe ao professor comunicar aos pais a presença de determinados comportamentos, a fim de que estes busquem auxílio médico, a fim de se diagnosticar (ou não) a síndrome. Em muitos casos, estes podem ter outras causas, como a morte de um ente querido e problemas familiares.

Erros por descuido, desatenção, não conclusão de tarefas, dificuldades em organizar atividades e se manter em silêncio, facilidade de distração por estímulos externos, perda de materiais necessários para determinada atividade, agitação e, em muitos casos, impulsividade; tanto em atividades consideradas “chatas” quanto nas mais prazerosas; podem indicá-la.

Com um diagnóstico confirmado, é necessário o trabalho em conjunto de pais e professores. Este último poderá adotar algumas medidas:

- organizar a fileira em forma de “U”, para ter uma visão geral da sala (e do aluno);
- buscar um contato mais próximo com ele (se necessário, colocar este sentado próximo à sua mesa, acompanhando seu desenvolvimento);
- fazer um roteiro da aula, deixando claro a todos os alunos o que deve ser cumprido;
- observar a maneira com que este aluno aprende de forma mais satisfatória e se utilizar deste método;
- planejar aulas mais estimulantes;
- desenvolver atividades em conjunto com outros professores;
- delegar tarefas e responsabilidades compatíveis com sua idade;
- no caso do hiperativo, permitir com que saia da sala algumas vezes (para pegar giz, entregar um recado a outro professor, etc.), a fim de que se sinta valorizado, e também não saia da sala por conta própria; e dar pouca importância às infrações leves e ser firme e rígido em infrações graves;
- propor atividades diferenciadas quando necessário (como questões curtas, de múltipla escolha, ou com auxílio de imagens e esquemas);
- estimular que este se relacione com outros colegas;
- não permitir comentários maldosos nem comportamento excludente por parte dos colegas.

Pode ser interessante que pais e professores tenham contato diário, por meio de um caderno de recados específico para tal.

Fonte:http://educador.brasilescola.com/orientacao-escolar/lidando-com-sindrome-hiperatividade-deficit-atencao.htm

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Alimentação Infantil

Alimentação Infantil



A infância é a fase de formação dos hábitos alimentares. É quando as crianças se acostumam a consumir diversos tipos de alimentos e definem de quais deles elas gostam ou não. É nesta época também que a criança começa a ser mais independente e a comer sozinha. Por ser uma fase de desenvolvimento, os pais têm grande responsabilidade e devem guiar seus caminhos, criando um ambiente para que a criança sinta prazer em consumir alimentos saudáveis.

A melhor maneira de começar é dando o exemplo. Principalmente na fase pré-escolar, as crianças tendem a imitar o que veem os adultos fazer. Se você disser pro seu filho comer fruta, mas não tiver este hábito, só vai confundir a cabeça dele... “Afinal, se comer fruta é bom, porque meus pais não comem?”

Como essa é a idade das descobertas, a alimentação muitas vezes se torna menos interessante do que brincar com os novos amigos. Portanto, não se desespere se seu filho não quiser comer tudo todos os dias. Isso é normal.

Algumas táticas podem aumentar o interesse dele. A principal delas é envolver seu filho no preparo dos alimentos. Pedir para ele misturar os ingredientes da salada, por exemplo, faz com que ele queira experimentar aquilo que fez. Até mesmo ajudar a colocar a mesa aumenta a participação da criança nestes momentos.

Ofereça uma variedade de alimentos e prepare-os de diferentes maneiras. Não é porque você não gosta de algo, que seu filho também não vai gostar. Seus paladares e preferências podem ser diferentes. Respeite os dele. Outro ponto importante é oferecer diversas vezes um tipo de alimento, antes de achar que seu filho não gosta dele. O ideal é que ele experimente cada alimento no mínimo oito vezes para chegar a essa conclusão.

Estabelecer uma rotina é muito importante. Acostume seu filho a ter horários e lugar certo para se alimentar. Além disso, faça da refeição um momento agradável, para que ele não associe a alimentação com brigas ou chantagens, por exemplo, e tenha prazer em dividir este momento com a família.

Fonte:http://www.sadia.com.br/vida-saudavel/25_saude+nota+10/81_fases+da+vida/17_alimentacao+infantil

Mordidas na Educão Infantil

As mordidas na escola
Não é raro encontrar queixas de pais que, ao buscarem seus filhos na escola os encontram mordidos por algum coleguinha. Geralmente são crianças pequenas, que estão aprendendo a dividir seu espaço com outras crianças da mesma idade.
Nesse período estão aperfeiçoando seus sentidos e agora fora dos cuidados dos pais e precisando dividir a atenção dos adultos com outras crianças. Não é fácil para os pais assimilarem essas mordidas sem mágoa ou indignação de alguém, que não se conforma com a situação ao ver seu filho tão desprotegido, agora marcado pelos dentes de um colega. Tão desagradável quanto, é a situação dos pais da criança que morde. E assim uma cascata de cobranças começa em cima da escola, por não ter profissionais suficientes. E se tem, não estavam atentos aos ocorridos. Vale lembrar que as crianças estão em fase de amadurecimento e consequentemente estão aprendendo a exteriorizar suas angustias; medos, frustrações, anseios e descobertas. Através do sistema nervoso central começam a elaborar o tato, o olfato, o paladar, a visão, e a audição.
  Consequentementecom as novas descobertas aprendem a usar as mãos, os dentes, como instrumentos de defesa. Numa fase anterior, talvez tenha sido o choro o instrumento mais usado para marcar a atenção. Não é fácil para a criança aprender a conviver com outras crianças da mesma faixa etária, que também disputam atenção. A mordida faz parte dos mecanismos de defesas mais primitivos do homem.
Quando ele não consegue outra forma de comunicação, ou explorar o ambiente da forma que lhe agrada é possível que use esse artifício para marcar seu espaço. Cabem aos pais, professores, não supervalorizarem a mordida em si, e sim as causas que levaram uma a morder, e a outra a permitir ser mordida. Quanto à escola, sabendo que está engajada com crianças que estão na fase de dividir, interagir. E se para nós adultos isso já não é tão simples, imagine para uma criança. É necessário trabalhar de forma lúdica pedagógica os sentidos, os gostos, o afeto e a divisão de espaço necessária para uma boa convivência.
Acredito ainda, que os pais devam ficar cientes que isso é um fato comum nas salas de aula onde convivem crianças que estão ainda em fase de amadurecimento do Sistema Nervoso Central. Elas experimentam as reações dos outros através de suas ações e conseqüências.
Os adultos necessitam usar de coerência e não supervaloriza a mordida. Muitas vezes, crianças que mordem na escola são crianças mais possessivas que querem atenção exclusiva, filhos únicos, filhos de pais que estão em processo de separação, ou ainda crianças que estão com irmãozinhos recém nascidos em casa. De alguma forma ele precisa extravasar suas angustias e ansiedades. Como ainda não tem um repertório de vocabulário eficiente para comunicar-se utilizam o mecanismo da mordida como manifesto. Um trabalho em grupo, com argila, onde se trabalha a função da boca, dos dentes, da língua, da saliva, dos lábios, etc., acaba sendo um instrumento pedagógico bastante eficaz.
Desta forma ele vai assimilar as funções e consequentemente o professor vai poder interpretar melhor a conceito interior de seus conflitos internos. A questão da mordida deve ser trabalhada dentro da escola. E as causas das mordidas precisam de uma avaliação mais minuciosa entre os pais e a equipe pedagógica, para juntos reconquistarem a harmonia entre os pequenos, os pais e a escola.
Vale lembrar que somos todos inocentes, tanto a criança que agride através da mordida, expressando seus conflitos internos, quanto à criança que não aprendeu seus mecanismos de defesas. Os pais que entram em angustias ao defenderem seus pequenos, quanto à escola que depara com essa situação e muitas vezes se sente impotente ao receber o rótulo de negligente. A coerência entre os adultos é a melhor forma de suavizar esses pequenos conflitos diante da vastidão de angustia do mundo dos adultos. 
Fonte da Pepesquisa:  http://websmed.portoalegre.rs.gov.br/escolas/liberato/psicologia/MORDIDAS%20NA%20EDUCACAO%20INFANTIL.htm

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O QUE HÁ DE NOVO NAS DISPUTAS CURRICULARES?




 Autor :André Picanço Favacho
O QUE HÁ DE NOVO NAS DISPUTAS CURRICULARES?


·       O autor destaca que o currículo não é apenas território de disputa teórico. Quem disputa vez nos currículos são os sujeitos da ação educativa;
·       Os professores e alunos não se pensam apenas como ensinastes e aprendizes dos conhecimentos dos currículos, mas exigem ser reconhecidos como sujeitos de experiências sociais e de saberes que requerem ter vez no território dos currículos;
·       ARROYO aponta que o currículo oficial  está cada vez mais pressionado pelos coletivos populares;
·       Esses coletivos, por sua vez, não lutam pela socialização em si;
·       A luta é por pertencimento social amplo, por acesso aos bens materiais e culturas, simbólicos e memoriais, na diversidade de espaço social, onde o direito á escola adquire outra relevância;
·       Invertem a antiga lógica: articulam o seu direito á escola, á conquista e ocupação de outros espaços e, com isso, pressiona o currículo oficial para incorporar o resultado de suas lutas;
·       Com isso o currículo não perdeu sua força controladora, mas que abre caminho para que seja possível que a história-memória dos diversos sujeitos seja contada, ainda que por meio de outra linguagem;
·       As escolas continuam importantes para esses sujeitos;
·       As experiências e tudo que as novas lutas são capazes de produzir podem, estrategicamente, se converter em prática curricular;
·       Em conteúdos políticos, em ato a ser valorizado pela escola, essas situações tem ameaçado positivamente o currículo oficial;
·       Parâmetros curriculares Nacional,Provinhas Brasil,Enem, Diretrizes Curriculares Nacionais,Índice de Desenvolvimento Básico;tudo com o objetivo de reforçar os conteúdos cognitivos da escolarização e abolir a dominação da nova estratégia, que une saberes,direitos e escolarização;
·       1ª PARTE DO LIVRO
·       “Os professores e seus direitos  a ter vez nos currículos- autorais, identidades profissionais”.
·       Arroyo acredita que a atividade do professor não se reduz, de forma alguma, a validar controle as instâncias superiores sobre a escola;
·       Bloqueiam a autoridade profissional do professor e seus saberes docentes;
·       Para Arroyo, a autoridade docente não foi totalmente eliminada, uma vez que a arte de educar não se separa do mundo, da vida, das práticas reais das pessoas, de suas mazelas, de seus desejos;
·       Os eventos sociais, culturais e políticos que convocam a docência é que faz com que desloquei a arte de educar ou a autoria docente;
·       2ª PARTE DO LIVRO
·       “Os saberes do trabalho docente disputam lugar nos currículos”
·       Denuncia que, lamentavelmente, contra os avanços de se educar partindo das vivências humanas ou desumanas dos sujeitos, vê-se nascer, nos dias de hoje financiadas pelas reformas educacionais, a função autista do professor, substituído a necessária função educadora da docência;
·       Perdemos a oportunidade de educar a partir do trabalho cujo princípio é educativo;
·       3ª PARTE DO LIVRO
·       “Arroyo defende a tese de que “ Os sujeitos sociais e suas experiências se afirmam no território do conhecimento”
·       Os coletivos sociais mostram que os saberes têm, sim, sua origem na experiência social e não apenas na artificialidade;
·       Se isso for negado ou ignorado, produzimos, além de uma injustiça social, uma injustiça cognitiva;
·       4ª PARTE DO LIVRO
·       “As crianças, os adolescentes e os jovens abrem espaços nos currículos”
·       Na visão de Arroyo a pedagogia a partir das novas vivências das crianças e jovens, foi interrogada na sua visão messiânica, romântica de criança e promotora de destinos, dando lugar de outra pedagogia capaz de revelar às crianças e adolescentes sua própria configuração da realidade;
·       Os jovens resistem a conviver em um sem – lugar, isto é, resistem a habitar em um espaço que, em qualquer momento, foi para eles pensado;
·       5ª PARTE DO LIVRO
·       “O direito a conhecimento emergente nos currículos”
·       Indigna-se com o fato de que as crianças – adolescentes passaram anos   na educação fundamental, completaram a educação média e saíram sem saber nada o pouco de se mesmos;
·       Romantizar a pedagogia e, portanto, os sujeitos da pedagogia;
·       Professores e alunos; Acordá-los desse sono durante o qual se acredita, erroneamente, que cada um nasceu para o que é.






Brincadeiras infantis e as suas origem




BRINCADEIRAS infantis e as sua origens

Estudos têm dificuldades para apontar origem das brincadeiras, que integram a cultura popular do mesmo modo que a literatura oral, a música e a culinária.
A pintura "Jogos Infantis", do flamengo PieterBrueghel, de 1560, que mostra 84 atividades lúdicas
Vamos brincar então?
Observe com atenção a imagem acima e encontre algumas brincadeiras que ainda são utilizadas nos dias de hoje.
No quadro “Jogos Infantis”, o flamengo PieterBrueghel (1525?-1569) mostra cerca de 250 personagens participando de 84 brincadeiras, em 1560. Grande parte delas é conhecida ainda hoje. É o caso da mara-cadeira, em que duas crianças trançam os braços para formar uma cadeira humana, usada para lançar um dos companheiros, após o canto de um versinho: “Onde vai, Maria Cadeira?/ Vai à casa do capitão,/ O capitão não está em casa,/ Joga Maria Cadeira no chão/ joga Maria Cadeira no chão...”.
De onde vêm as brincadeiras? Ninguém responde com certeza. Elas são universais e fazem parte da cultura popular , como a literatura oral, a música, a culinária.
A brincadeira pode ser considerada uma linguagem.
Sigmund Freud (1856-1939) analisou o comportamento de um menino de 18 meses, que se divertia com uma linha presa no carretel. A criança atirava o carretel para longe e perto do berço _e dizia “vor” (perto) e “da” (longe). Para o psicanalista, o jogo seria a vivência simbólica da presença e afastamento da mãe.
Melanie Klein (1882-1960) e outros psicanalistas e psicólogos trabalharam com a ludoterapia e atribuíram aos jogos e brincadeiras a função de elaborar sentimentos e vivências. Eles divertem as crianças e as preparam para a realidade.
Homero fala de jogos infantis na “Odisséia”. Em túmulos de crianças do século 4 a.C., na Grécia, foram encontradas bonecas. Mas é impossível dar a palavra final sobre a origem de uma brincadeira, pois ela ganha variantes e se transforma no tempo e no espaço. As primeiras famílias européias que chegaram ao Brasil durante a colonização trouxeram a boneca, o pião e o soldadinho. E também monstros e gigantes, ogros e “trolls”, sereias e duendes, junto com canções de ninar e contos de fada.
Os africanos também contribuíram com criaturas que assustavam as crianças, como o tutu-aramará, o quibungo e o nironga. Há referências de que as danças de umbigada têm origem africana. Em 1928, Simões Lopes Neto escreveu que certas danças teriam características indígenas e traços portugueses, como o sapateado.“(...) Parecem haver resultado de uma combinação das danças dos primitivos paulistas, mineiros e lagunenses, com as danças dos açoristas e dos indígenas, mais a meia-canha e o pericon, danças que se usava nas repúblicas do Prata, especialmente em Corrientes, Entre-Rios e Estado Oriental.”As danças tinham nomes indígenas como anu e tatu, além de chimarrita, chico, galinha-morta, e eram dançadas em bailes chamados fandangos que, a partir de 1840, foram sendo substituídos pelas danças vindas da Europa. Eram divertimentos tanto das classes altas quanto das senzalas.Muitas dessas danças passaram para as rodas infantis.
É o caso da dança que acompanha a canção que diz “Folga, folga, minha gente,/ que uma noite não é nada;/ se não dormires agora,/ dormirás de madrugada!”.
Tudo isso foi sendo misturado ao Brasil que já existia antes de ser descoberto. No imaginário dos índios, antes de eles sofrerem influência das missões catequéticas, heróis reinavam sobre a terra. Além de Macunaíma e Maíra, mitos mais difundidos, Nunes Pereira registrou, em 1940, o mito de Bahira, o herói bem-humorado que roubou o fogo guardado no céu pelos urubus. Informam Orlando e Claudio Villas Boas que as crianças indígenas brincam durante todo o dia, especialmente com seus arquinhos e flechinhas. Têm, como se vê hoje entre as crianças do país, brincadeiras de disputa.

Com os curumins, as crianças africanas e européias aprenderam a brincar de imitar animais. Essa fusão cultural tem um paralelo no que acontece na mitologia. Em 1905, Max Schmidt apontou para o risco de se considerar originais algumas correspondências míticas, como a assimilação de Tupã como Deus, explicada por Camara Cascudo.
Um exemplo da miscigenação cultural e da dificuldade de datar e estabelecer origens pode ser observado nas interpretações sobre o conto jocoso “A Festa no Céu”. Na Grécia, um aforismo dizia que animal rasteiro não pode querer voar. Isso leva a crer que a história do sapo que foi a uma festa no céu escondido na viola do urubu já tinha uma versão grega. A história foi registrada entre os índios brasileiros, que provavelmente a conheceram por transmissão dos europeus, e em povos africanos. Uma fábula africana de Angola que diz que a tartaruga (que é sapo ou rã em variantes brasileiras e corresponde, nessa história, à astuta raposa na Europa) é condenada à morte e suplica que não lhe matem pela água, mas pelo fogo. Os inimigos resolvem afogar a tartaruga, e ela se salva.A história também pode ter vindo do Oriente. O tema aparece no “Panchatranta” (livro da mitologia indiana), que se vulgarizou na Espanha sob a influência árabe. La Fontaine pode ter se baseado nessa obra para criar fábulas.Para o estudioso Sílvio Romero, a cultura brasileira toma forma a partir do século 17: “No século 16, pois, por uma lei de evolução que dá em resultado antecederem as formas simples às mais compostas, as canções e cantos populares das três raças ainda corriam desagregados, diferenciados. Nos séculos seguintes, sobretudo no 17 e 18, é que se foram cruzando e aglutinando para integrar-se à parte, produzindo o corpo de tradições do povo brasileiro”.João Ribeiro escreveu no livro “O Folk-Lore” (1919) que as brincadeiras infantis “são mensagens e recados de raça a raça, de povo a povo, de século a século, sem sair da perene onda infantil que os leva a ignorados destinos”.O estudo das variantes linguísticas das brincadeiras ajuda a estabelecer elos históricos. Ribeiro faz um estudo da expansão da brincadeira joão-do-cabo. Ele conta que, em 1919, o jogo vintém-queimado existia em Portugal e possessões, com vários nomes. Na Espanha, o nome era joão-das-cadeinhas. Alberto de Faria recolheu em Campinas (SP) a seguinte variante:_ Vintém queimado!_ Quem queimou?_ Pilão do Carmo (Vilão do Cabo)._ Quer que se prenda?_ Prendido vá.”Após o diálogo, vem outra série de versos, que autorizam a passagem de quem está na brincadeira:_ Passa, passa cavaleiro, pela porta do carneiro!_ Tem uma corda p’ra me emprestar?_ Tenho; mas está suja._ De quê?_ De cuspe de galinha!_ Vamos experimentar..._ Vamos!”Depois dessas perguntas e respostas, feitas por dois meninos que estão nos extremos de uma cadeia de crianças de mãos dadas, todos passam sob os braços em arco dos meninos de uma ponta (a porta do carneiro) à outra; em seguida, os meninos dão um puxão para arrebentar a cadeia (a corda). Todo mundo cai.Então, os dois meninos iniciais marcam no chão o inferno, o purgatório e o céu.Um fica com a mão direita erguida e espalmada, para que os outros batam nela com as cabeças, enquanto pulam. Quem consegue fazer isso vai para o céu. Os perdedores vão para o purgatório ou inferno. As crianças gritam para quem foi para o inferno:_ Coisa ruim, tem-tem_ Pra ganhar vintém!Ribeiro interpreta que o nome vilão-do-cabo teria vindo do tratamento dado a um dos meninos dos extremos da cadeia (na Espanha, frei João das Cadeinhas). Por sua vez, o nome vintém-queimado seria corruptela de “vinte y unquemados”, da parlenda castelhana da tradição quinhentista.
No Nordeste do Brasil, a variante desse jogo é bolotinha-de-cabra e foi recolhida por Julio C. Monteiro. No Ceará, essa brincadeira é conhecida também por bolão-de-cabra, que tem semelhança sonora com “vilão”. No Sul do Brasil, chama-se pilão-do-carmo. Na Bahia, é vilão-do-cabo mesmo. Se vilão resultou em bolão, por que o nome bolotinha? João Ribeiro explica. Como o jogo na península era também conhecido como juan-de-las-cadenetas (“cadeneta” é cadeia de “lavor e trancelim”), “em Portugal o povo, por zombaria, transformou a expressão em jam-da-caganeta desde o século 18”. Caganeta (ou caganita) designa o excremento da cabra. E aí está a razão “que faz predominar no extremo norte o título de bolão e bolotinha-de-cabra para um jogo que primitivamente se havia de chamar vilão-do-cabo ou jam-da-caganeta”. E como vilão-do-cabo virou pilão-do-carmo? É possível que vilão tenha sido substituído por peão, que acabou por se transformar em pilão.A análise dos aspectos linguísticos demonstram o percurso que o jogo fez por Portugal, Espanha e Brasil. A interpretação de uma versão italiana (“tila-tila”) ajuda a descobrir por que um barulho, simulando um tambor, foi incluído na versão brasileira. A mudança pode ter apenas relação verbal. Explica João Ribeiro: “Quase todas as criações tradicionais devem suas formas a verdadeiros equívocos e trocadilhos das palavras. Só a essência escapa a essas erosões e metamorfoses da linguagem”. O curioso na parlenda vilão-do-cabo, que deu na boca-de-forno, é que ela repete o tema da comida, que sempre aparece nas brincadeiras infantis: o bolo, o pão e o forneiro. A palavra final sobre essas interpretações, no entanto, ninguém a terá. O resultado desses questionamentos é tão aberto como o do estudo da poesia.


 Consumismo Infantil, um problema de todos


NÄo importa o gênero, a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder
aquisitivo. Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados
a consumir de modo inconsequente. As crianças, ainda em pleno desenvolvimento
e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não ficam fora dessa lógica e
infelizmente sofrem cada vez mais cedo com as graves consequências relacionadas
aos excessos do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo
precoce de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade e
violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil á uma questão
urgente, de extrema importância e interesse geral.
De pais e educadores a agentes do mercado global, todos voltam os olhares para a
infância − os primeiros preocupados com o futuro das crianças, jÇ os atilemos fazem
crer que estão preocupados apenas com a ganância de seus negócios. Para o
mercado, antes de tudo, a criança á um consumidor em formação e uma poderosa
influência nos processos de escolha de produtos ou serviços. As crianças brasileiras
influenciam 80% das decisões de compra de uma família (TNS/InterScience,
outubro de 2003). Carros, roupas, alimentos, eletrodomésticos, quase tudo dentro
de casa tem por trÇs o palpite de uma criança, salvo decisões relacionadas a planos
de seguro, combustível e produtos de limpeza. A publicidade na TV á a principal
ferramenta do mercado para a persuasão do público infantil, que cada vez mais
cedo á chamado a participar do universo adulto quando á diretamente exposto ás
complexidades das relações de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.
As crianças são um alvo importante, não apenas porque escolhem o que seus pais
Compram e são tratadas como consumidores mirins, mas também por que
impactadas desde muito jovens tendem a ser mais fiais a marcas e ao próprio
hábito consumista que lhes á praticamente imposto.
Nada, no meio publicitário, á deliberado sem um estudo detalhado. Em 2006, os
Investimentos publicitários destinados á categoria de produtos infantis foram de R$ 209.700.000,00 (IBOPE Monitor, 2005x2006, categorias infantis). No entanto, a
publicidade não se dirige às crianças apenas para vender produtos infantis. Elas são
assediadas pelo mercado como eficientes promotoras de vendas de produtos
direcionados também aos adultos. Em março de 2007, o IBOPE Mídia divulgou os
dados de investimento publicitário no Brasil. Segundo o levantamento, esse
mercado movimentou cerca de R$ 39 bilhões em 2006. A televisão permanece a
principal mídia utilizada pela publicidade. Ao cruzar essa informação com o fato da
criança brasileira passar em média quatro horas 50 minutos e 11 segundos por dia
assistindo à programação televisiva (Painel Nacional de Televisores, IBOPE 2007) é
possível imaginar o impacto da publicidade na infância. No entanto, apesar de toda
essa força, a publicidade veiculada na televisão é apenas um dos fatores que
contribuem para o consumismo infantil. A TNS, instituto de pesquisa que atua em
mais de 70 países, divulgou dados em setembro de 2007 que evidenciaram outros
fatores que influenciam as crianças brasileiras nas práticas de consumo. Elas
sentem-se mais atraídas por produtos e serviços que sejam associados a
personagens famosos, brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos
amigos também foi identificada como uma forte influência.
Não é por acaso que o consumismo está relacionado à ideia de devorar, destruir e
extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas, furacões, inundações
gigantescas, enchentes e períodos prolongados de seca, são muito mais comuns e
frequentes, foi porque a exploração irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao
longo de décadas.
Concentrar todos os esforços no consumo é contribuir, dia após dia, para o
desequilíbrio global. O consumismo infantil, portanto, é um problema que não está
ligado apenas à educação escolar e doméstica. Embora a questão seja tratada
quase sempre como algo relacionado à esfera familiar, crianças que aprendem a
consumir de forma inconsequente e desenvolvem critérios e valores distorcidos são
de fato um problema de ordem ética, econômica e social.
O Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, combate qualquer tipo de
comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que os danos
causados pela lógica insustentável do consumo irracional podem ser minorados e
evitados, se efetivamente a infância for preservada em sua essência como o tempo
indispensável e fundamental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes
e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna, que tenha a
qualidade de vida não apenas como um conceito a ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.
Fonte de Pesquisa:
INSTITUTO ALANA: www.alana.org.br
www.linhacruzada.com/site/consumo-infantil-um-problema-de-todos/